Como Um Filho?





Muitos falam que seus bichos de estimação são como filhos.  Cuidam muito bem, dão carinho, vida tranquila e com todos os cuidados. Mas na hora crítica, os deixam para trás. Já escutei muitas histórias assim e nunca me conformei. Desde de ontem  não sai da minha cabeça o pedido de adoção que vi no Facebook, de uma moça que vai para o exterior e procura alguém para ficar com sua gata preta e com doença crônica, precisando de medicação diária. 

Neste caso temos um complicador real, ela diz que o país,  para onde vai se mudar, não aceita animais vindos do Brasil. Sei que isso pode ser verdade, mas sei que está mudando. Muitos países que tinham restrições severas, as abrandaram. O processo para levar um bicho ao exterior não é fácil e nem barato, mas não é impossível.  Conheço de perto histórias felizes de gente que se mudou para fora do país e levou os gatos.  Estas histórias felizes me emocionam muito. 

Fico pensando no sentimento de abandono de um gato deixado para trás. Sem explicações, sem poder entender o que aconteceu.  Só de pensar me dá vontade de chorar.  Como o dono pode fazer isso? Como se chega a um decisão assim, tão cruel?  Não quero aqui julgar ninguém, mas não consigo deixar de considerar um ato cruel.  Será que não havia mais alternativas?  Não há mais outro jeito?  E se fosse um filho humano, esta pessoa o deixaria para trás?  Dúvido.   Mas gato é só um gato, não se pode mudar a vida por um simples felino, né?   Posso ser chamada de louca, mas para mim não é assim não. Os meus  gatos são meus filhos e ponto. Para o bem e para o mal, com todas as consequências que venham no pacote. 

Nos últimos meses tive minha rotina completamente alterada pela diabetes do Sam.  Hoje minha agenda gira em torno dos horários de aplicação de insulina dele.  Não faço nada sem que eu tenha certeza que estarei em casa na hora certa da aplicação.   Isso implica em não fazer coisas banais, como não conseguir ir ao cinema porque o horário do filme não encaixa na hora da insulina do Sam. Também altera planos maiores, como viagens, que não faço se não tiver como garantir que o remédio dele será aplicado, até horário de trabalho! Hoje, felizmente, meu horário de trabalho é totalmente compatível com as aplicações de insulina, se houver alguma mudança e não for mais, terei que buscar outro emprego. 

Me pergunto sempre o que eu faria se me visse num impasse como o da moça que vai se mudar para o exterior.  Acho que não iria. Ficaria com os meus filhotes. Não conseguiria viver em paz deixando os dois aqui.  Uma coisa é viajar um mês e voltar, outra é viajar pra sempre. Como deixar para trás os meus filhos? Tenho um compromisso com eles desde o dia em que os adotei. Cuidar deles e ponto. Então, eles têm que se encaixar na minha vida de qualquer jeito, mesmo que eu tenha que mudar meus planos para isso.  

Histórias assim me cortam o coração. Não me conformo mesmo. 


Comentários

  1. Por isso, prefiro não adotar. É um compromisso e eu tenho uma vida instável.

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    1. Mari, eu acho você muito correta na sua posição! :)

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  2. eu acho q eu tentaria levar ou desistiria da viagem. é um compromisso. largar pra trás não faz sentido. se alguém tem alguém muito próximo que já amava o animal, que já tinha contato. acho que até pode pensar. mas passar um animal para um estranho qualquer. não consigo imaginar.

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    1. Pedrita, também acho que só deixaria se fosse com alguém da família, que os gatos já conhecessem. Não doaria para um estranho. Nunca. E mesmo assim, só em último caso. Não consigo pensar em deixá-los pra trás.

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  3. Não é fácil Patry. Eu não julgo porque procurei alguma maneira de deixar os meus no Brasil quando soube da minha mudança, com medo de eles não aguentarem a viagem (são super assustadinhos) ou de eu não ter condições de levá-los, porque as primeiras pesquisas que fiz deram um preço absurdamente inviável. Mas eu JAMAIS deixaria com qualquer um. Deixaria SOMENTE se fosse com alguém de total confiança e que ficasse com os 4. Obviamente não cheguei nem perto de encontrar uma solução que não fosse levá-los e de fato quando fui mesmo atrás o processo não era tão complicado. A Inglaterra é chatíssima com a importação de animais mas pelo menos permite - deve ter lugar mesmo que não permite, e aí não é uma simples questão de "sem ele eu não vou", porque né? Tem que pesar todos os prós e contras. O vínculo com os animais é imenso mas eles ainda são só animais e tem um tempo de vida muito curto pra gente definir nosso futuro inteiro em função deles. Mas se não puder mesmo levar o bicho, tem que ser responsável na mudança de vida dele, não simplesmente deixar com qualquer um pra se livrar do problema.
    Eu acho que existem casos e casos. A viagem dos meus gatos foi o principal motivo de eu ter uma dívida imensa no Brasil que até agora não consegui quitar, não tenho a menor dúvida de que valeu cada centavo, mas fico pensando que se eu tivesse cedido à vontade de adotar mais um gato no Brasil, seria impossível trazer todos comigo (e na época que quase peguei mais um não existia nem cheiro de possibilidade dessa mudança, eu não teria como adivinhar. assim como, se eu soubesse que viria pra cá, provavelmente não fecharia a fábrica de filhos humanos porque criar filho aqui é mil vezes mais fácil e barato do que no Brasil e eu consideraria ter outro, como sempre quis, coisa que no Brasil eu não tinha condições).
    De repente um animal com doença crônica corra um risco maior ao viajar. Talvez a pessoa pudesse levar algum tempo para conseguir acertar o tratamento no exterior e isso prejudicasse a saúde dele. Talvez seja má vontade mesmo. Não dá pra saber.
    Enfim... é difícil. Acredito que a maioria das pessoas que se desfaz de um animal de estimação não tem consideração alguma pelo bicho, mas não acho que todos os casos são assim.

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    1. Re, por isso evito julgar. O primeiro pensamento que vem à cabeça, não nego, é condenar a pessoa. Mas depois eu páro para ponderar, não é fácil e eu acho que tem gente sim que toma esta decisão com muita dor. Toma a decisão por ser inevitável. Mas a maioria não liga mesmo. Fiquei tão feliz quando deu tudo certo pra você e os gatos.

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