Hábito Quase Perdido






Hoje aproveitei cada instante de sossego no trabalho para treinar minha assinatura. Estava preocupada, com medo de assinar um garrancho na hora de assinar o passaporte novo. A minha letra, que nunca foi muito bonita, anda piorando muito nos últimos tempos. Estou nitidamente perdendo a habilidade de escrever à mão. É algo surreal, algo que nunca pensei que pudesse acontecer.  Consequência da vida moderna, onde nada mais é escrito no papel. Eu escrevo cada vez menos usando a caneta ou lápis. Praticamente tudo que escrevo é no notebook ou no meu celular.  Escrever no papel só na hora de fazer a lista do supermercado ou de preencher um cheque, coisa  também cada vez mais rara na minha vida também. 

Será que chegará o dia que vamos deixar de escrever do jeito convencional?  Será que  tudo será feito em telas?  Não duvido que isso venha acontecer, pois velhos costumes estão sumindo.  Outro dia descobri que um amigo nunca tinha mandado uma carta! Fiquei chocada. Um hábito que foi tão presente na minha vida e que nunca fez parte da vida do meu amigo, que é bem mais novo que eu e desde pequeno convive com o mundo dos computadores. Ele nunca teve necessidade de enviar uma carta,  conversa com os amigos pelo computador desde sempre.  Ele já cresceu em um novo mundo.  Com novas possibilidades, onde hábitos antigos, como escrever cartas, já não faziam mais sentido.  

Eu passei a primeira metade da minha vida em um mundo analógico, comunicação só por carta, telefone, telex ou fax.  Escrevi muitas cartas na minha vida.  Mas isso já faz parte do meu passado, nem lembro qual foi a última carta que enviei. Enviei uns cartões postais ano passado, mas isso não conta. No mundo do contato instantâneo, acho que ninguém mais tem paciência de esperar dias para receber uma resposta. Vivemos em outra velocidade. Mas uma coisa não muda, receber uma carta de amor é muito mais impactante do que receber um e-mail de amor.  Pensando  nisso, acho que nunca deixaremos de escrever do jeito  antigo. Mesmo que seja só para ocasiões especiais, acho que o hábito de escrever  à mão não vai deixar de existir.  Pelo menos eu espero que não. 




Nota da blogueira: O meu treino valeu a pena e assinei direitinho o meu passaporte novo. Assinatura  igualzinha a do RG. :)


Comentários

  1. Eu também tive uma pequena fase da minha vida antes da internet, acredito que comecei a usar a internet com 15 anos, e sou um amante da tecnologia, formado em Ciência da Computação, e confesso que ficaria muito feliz se o hábito da leitura fosse abolido, gostei tanto do assunto que acho que vou escrever no meu blog também, hehehe

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  2. eu ainda escrevo muito a mão. anoto direto telefones, solicitações, informações. e assino muito tb. acho q depende muito do trabalho e da função que a pessoa exerce. beijos, pedrita

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  3. Pedrita, no meu trabalho é tudo feito no computador, quando eu anoto coisas é num papel e com a letra bem ruim, pois são coisas só para eu entender mesmo. Assim, praticamente não escrevo à mão.


    Beijos

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  4. Como professor eu sofro por isso... meus alunos esqueceram como escrever e usam cada vez mais um portugues internetado...

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