Radialista de Alma







Eu sou formada em Rádio e TV, turma de  1993 da Unesp de Bauru.  Estudei o que eu sempre sonhei. Os anos de faculdade foram especiais, foi realmente um momento marcante e fundamental em minha vida. Cheguei a trabalhar em emissoras de rádios durante algum tempo, logo depois que me formei.  Mas não consegui me firmar na profissão. Quando eu estava perto dos 30  me vi  ainda trabalhando praticamente de graça e sem perspectivas de conseguir emprego em emissoras aqui em São Paulo. Eu já tinha tentado de tudo e simplesmente a carreira como radialista não decolava. Só levava porta na cara. Cansei de tantos nãos e comecei a pensar no que seria de mim. Resolvi então arranjar emprego em qualquer área. Desde então sigo trabalhando com atendimento ao público, seja em help desks ou sacs. Descobri em mim uma vocação insuspeita,  descobri ser muito boa em uma atividade que nunca sonhei trabalhar.  Na verdade acho que ninguém sonha em trabalhar com atendimento ao cliente, né? Enfim, hoje tenho um bom emprego, um salário legal e gosto do que eu faço. Mesmo assim nunca deixei de ser uma radialista, sempre serei, mesmo estando afastada da profissão por tanto tempo. Hoje foi um dia de recordações e  reflexões. O dia do radialista me fez lembrar daquela época, lembrar dos sonhos. Mas não se preocupem, não fiquei melancólica. Hoje estou bem resolvida com isso tudo. Aceitei que não era para acontecer e tenho a certeza que  parei de insistir na carreira de radialista no momento certo. 

Vez ou outra sempre me batia uma inquietação, eu ficava pensando se não teria desistido cedo demais. Mas estas dúvidas se foram depois de um documentário que eu vi há alguns anos sobre a banda de rock Anvil.  O vocalista da banda perseguiu o sucesso como roqueiro a vida toda.  No começo da banda, até que fizeram um certo sucesso, lá no início dos anos 80, mas depois nada deu mais certo. Lips, o vocalista, teimou em insistir , não quis saber de mais nada na vida, só de tentar ter sucesso como músico. Não conseguiu e o documentário mostra que ele virou um homem sem nada na vida e muito amargurado, trabalhando como entregador de merendas em uma escola. Ele nitidamente não é feliz, não conseguiu nenhum emprego melhor pois nunca tentou mudar o curso da sua vida. A vida dele atual é algo muito triste de ver, pois só se vê  fracasso. Ele perdeu a chance de construir alguma coisa bacana simplesmente porque se recusou a aceitar que ele não estava destinado a ser um cantor de rock famoso.  Ver este documentário me fez sentir alívio, pois vi que poderia ter acabado como ele. Esperando por uma chande que nunca viria e estar estagnada, vivendo  em busca de uma ilusão. 

Sempre falam que a gente tem que lutar pelos nossos sonhos até o fim. Eu acho que temos que lugar pelos nossos sonhos até o momento em que temos reais chances de realizá-los. É preciso ter coragem para desistir de um sonho e mudar de rumo.  Não é fácil. Não foi para mim e não deve ser fácil para  ninguém.  Temos que ter a maturidade para aceitar que não podemos ter ou ser tudo que desejamos. Temos  que aceitar os 'nãos' que a vida impõe e seguir em frente.  Felizmente eu segui em frente e  estou feliz com  a pessoa que  me tornei.


E como eu disse no tuíte, posso não ser mais uma radialista profissional, mas continuo com alma da radialista.  Apaixonada por rádio e por música. E apenas com saudades daquela época, sem amagura. 


Feliz dia do radialista!  :)


  

Comentários

  1. Sim. Assim como eu cansei de lidar com egos e baixos salários como designer.. acho q fui mais louca pq fui trabalhar com origami.. ouvido até hj q não faço nada.. mas hoje já posso olhar pra tras e ver meu portifólio lindo!! Não é facil não tenho muita segurança mas me preenche tanto e sei que faço um ótimo trabalho senão não teria retorno e elogios.! Viva a busca por sonhos e outros sonhos acabam se tornando reais sem que a gente perceba q esse era o nosso real sonho!

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