Lei e Religião Não Se Misturam




Felizmente eu vivo em um país onde há a liberdade religiosa. Há liberdade de culto, cada um pode seguir o deus que bem entender, cabe a cada um decidir qual religião quer seguir ou mesmo se quer seguir alguma religião. Não há imposições por parte do governo determinando qual é a religião certa. O governo não se mete na crença dos cidadãos brasileiros, como deve ser. Estado e religião não se misturam aqui em nosso país. É o que diz nossa constituição, mas parece que os líderes religiosos, principalmente os de vertente  evangélica, resolveram ignorar isso e querem mudar as leis deste país para que se adequem aos preceitos de suas igrejas. 

É com muito temor que vejo o aumento do número de políticos ligados às igrejas evangélicas. Cada vez mais numerosos, estes políticos começam a se mexer para tentar impor ao povo brasileiro normas de comportamento que são consideradas corretas por suas doutrinas.  Querem que qualquer cidadão brasileiro seja obrigado a viver de acordo com as regras das igrejas evengélicas.  Para eles só a verdade deles importa, eles não aceitam a diversidade de pensamento, querem impor o jeito de pensar deles. Eles estão extrapolando, eles tem que determinar apenas as normas das vidas de seus fiéis. Dentro de suas igrejas podem exigir que os fiéis sigam à risca o manual de moral e de bons costumes determinados por eles. Nada mais além disso. 

Uma demonstração do risco que corremos de virar uma nação regida por leis determinadas por líderes evangélicos é o Projeto de Lei 478/2007, que estabelece o Estatuto do Nascituro, que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça. Se este projeto for aprovado, abrirá brecha para a criminalização do aborto em qualquer situação, pois   ele  tem como objetivo considerar que  o óvulo fecundado é   um ser humano e assim, qualquer ação para acabar com a existência deste óvulo fecundado será considerado um assassinato. Ou seja a mulher será obrigada a levar adiante uma gravidez contra sua vontade, mesmo em caso de estupro ou gravidez de alto risco. É uma afronta ao direito individual. Só a mulher pode decidir se quer ou não levar adiante uma gravidez.  Estes políticos têm que entender que eles somente podem obrigar as suas fiéis a manter uma gravidez a qualquer custo, pois estas mulheres decidiram seguir aquela religião e assim decidiram viver sob suas regras. Todas as outras cidadãs brasileiras têm o direito de decidir o que fazer de suas vidas e a lei têm que garantir isso. Não podemos deixar que nossas leis sejam regidas pelas leis de igrejas evangélicas. Temos que protestar, senão logo viraremos uma nação onde vai vigorar o fundamentalismo cristão.

Há uma petição on line para  protestar contra o Estatuto do Nascituro. Eu já assinei.  Se você concorda com o que escrevi aqui, assine também. 

Este é o link para fazer parte da petição : 




É preciso mostrar que estamos contra este absurdo. Temos que mostrar que temos voz e que queremos que nosso país continue sendo uma nação laica. 



Nota da blogueira:  Eu sou a favor da legalização do aborto. Eu acho que cada mulher tem o direito de decidir se quer prosseguir com a gravidez em qualquer situação.  Acho aqui no Brasil dificilmente o aborto será legalizado, mas não podemos deixar que haja um retrocesso, acabando com o direto de decidir pelo aborto nos casos já permitidos pela legislação e é isso que este estatuto pretende que aconteça. 



Comentários

  1. tb me incomodo muito com essa ideia de misturar dogmas e lei. o feudalismo já acabou faz tempo. essa lei vai intensificar a busca por sistemas clandestinos de aborto e vão aumentar as mortes. uma lei que coloca em desespero uma mulher é violenta. não protetiva. campanhas para falar de proteção, camisinha, métodos contraceptivos, risco da gravidez indesejada podem ser bem mais efetivos q essa lei. afinal o estado deve buscar a proteção dos indivíduos, não o seu desamparo. beijos, pedrita

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