Antes de Mais Nada




A resenha da peça prometia um espetáculo  que deixa o público com um incômodo, com uma certa amargura, daquelas que fazem a gente sair do teatro pensando na vida. Infelizmente, isso não aconteceu. 


A peça conta a história de Alfredo (Fulvio Estefanini) que recebe a notícia da morte de seu grande amigo Bernardo (Roney Facchini), com  que não tinha contato há 30 anos. Logo após receber a notícia, ele recebe a visita do amigo recém-falecido, que volta para os dois terem a conversa definitiva e acertarem os ponteiros e, finalmente, esquecerem as mágoas que os separaram por tanto tempo. 

É um tema bem doloroso, pois todo mundo tem alguma história de desencontro, de se perder de alguém que tanto gosta. Coisas que acontecem e que a gente tenta, tenta  e não consegue resolver, por mais que tente, tudo só piora e o afastamento é inevitável. Assim é a história dos dois amigos, que eram inseparáveis,  pelo que eles contam na peça e que seguiram caminhos diferentes por causa de um desentedimento, que eles não contam, não esmiuçam. Fica tudo no ar, tudo num dito pelo não dito, bem sem sal. Faltou um aprofundamento, faltou emoção. Tudo é  encenado de um forma muito burocrática, faltou um tiquinho de naturalidade e faltou um pouco de audácia no texto, de ter coragem de dizer o que realmente queria relatar e não ficar no quase. 

Uma pena mesmo, pois é um bom tema, mas  que não foi trabalhado corretamente. Para não dizer que não gostei de nada, ressalto duas qualidades do espetáculo: O cenário, que ficou bem autêntico, paracia uma sala de casa de bairro mesmo, e a Chris Couto, que sou fã desde  os primórdios da MTV Brasil. Gostei muito de vê-la ao vivo. 

Eu queria ter visto no palco uma conversa franca entre os dois amigos, daquelas que todo mundo devia ter com quem se gosta e não consegue se entender. Aquele tipo de conversa difícil, que machuca, mas que depois  alivia e deixa as duas pessoas leves e que abre uma brecha para um novo caminho, sem rancor. Mágoa só faz mal e ainda faz a gente perder convívio com pessoas que são especiais. Coragem é o que precisamos para não deixar coisas assim acontecer, coragem pra enfrentar os problemas, sem rodeios. O que não é dito, muitas vezes machuca mais do que tudo que já foi dito.  Mas num espetáculo assim, o não dito vira frustração, pois não permite que o público vivencie com  a devida intensidade a história que é contada no palco. 


Nota da blogueira: Fui parar no espetáculo por acaso, foi uma surpresa. Ganhei um par de ingressos lá no trabalho. Foi um presentinho pelo bom desempenho. Adorei o agrado! É bom ter o trabalho reconhecido. :)



Comentários

  1. eba!!!! ah, que pena que vc não se identificou e q bacana q foi um presente que ganhou por desempenho. parabéns. o tema é realmente muito bom. beijos, pedrita

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Vamos, comente!!!

Postagens mais visitadas deste blog

Na Secadora Não!

Meus Furacõezinhos!

Ovono